Política
Apenas 24 horas após a cerimônia oficial de inauguração, a obra do Túnel Major Sales, parte estratégica do Ramal do Apodi, no Rio Grande do Norte, tornou-se alvo de duras críticas e preocupação. Registros em vídeo, que viralizaram nas redes sociais neste sábado (4), mostram rompimentos e um intenso vazamento de água em pontos da estrutura que integra o projeto de transposição do Rio São Francisco.
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Nas imagens, é possível observar o fluxo de água escorrendo de forma descontrolada por tubulações e por trechos de terra que apresentaram falhas estruturais. O episódio ganhou força política após o pré-candidato Nilvan Ferreira divulgar o material, classificando o ocorrido como um "estouro" logo após a entrega oficial, e cobrando esclarecimentos imediatos do governo federal sobre a qualidade e a segurança da execução da obra.
A solenidade de entrega do túnel Major Sales, presidida por Lula na última quinta-feira (2), expôs um cenário de contradições. Embora tenha sido apresentada como um marco da segurança hídrica, a obra — que possui 6,5 km de extensão — é apenas um fragmento de um projeto muito maior, o Ramal do Apodi, que soma mais de 115 km e segue com frentes de trabalho em andamento.
O ponto que gerou maior desgaste foi o registro, via drone, de contêineres sendo utilizados como solução improvisada para a passagem de água em pontos do ramal. A solução temporária, instalada no lugar de passagens definitivas, levanta questionamentos sobre o planejamento do cronograma e a eficácia do investimento bilionário, levantando suspeitas de que a pressa pela entrega oficial teria se sobreposto à conclusão integral da infraestrutura necessária para o funcionamento pleno do sistema.
Durante seu discurso em Luís Gomes, o presidente Lula não abordou diretamente a presença das estruturas provisórias, como os contêineres, mas reconheceu um descompasso técnico na cerimônia. Ao constatar a ausência de água no ponto exato da inauguração, o chefe do Executivo afirmou que sua equipe teria calculado erroneamente o tempo de deslocamento do fluxo hídrico após a abertura da comporta.
"Eu já reclamei com a equipe. Eles prometeram que a água chega por volta da meia-noite", declarou o presidente na ocasião.
A declaração, somada ao improviso das estruturas, serviu como combustível para a oposição, que utiliza o episódio para questionar a segurança hídrica prometida à população de 1,7 milhão de pessoas que dependem da conclusão definitiva de todo o Ramal do Apodi, projeto iniciado em gestões anteriores e que segue como um dos principais desafios de infraestrutura do governo atual no semiárido nordestino.
O Ramal do Apodi é apresentado pelo governo como uma peça-chave para garantir a segurança hídrica em áreas afetadas pela seca no semiárido nordestino. Com um orçamento bilionário, a expectativa gerada pela obra é alta, tornando o incidente atual um ponto de extrema sensibilidade. Até o momento, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional não emitiu uma nota técnica detalhando o que causou o rompimento, se houve falha estrutural, falha em testes de carga ou se os vazamentos são decorrentes de alguma intervenção específica, nem qual o plano para o reparo emergencial.
A repercussão coloca o governo em posição de defesa, uma vez que a proximidade entre o discurso de inauguração e as imagens do vazamento gera desconfiança sobre a celeridade dos processos de entrega de obras públicas. Seguimos acompanhando os desdobramentos e aguardando um posicionamento oficial das autoridades competentes sobre a estabilidade do túnel.
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